quarta-feira, 16 de março de 2011

segunda-feira, 14 de março de 2011

Invernia

Vieram do passado, para hoje me visitarem, palavras impronunciáveis de estranheza, aprendidas na clausura dos teus sonhos e no rigor solitário dos teus braços.

quinta-feira, 10 de março de 2011

"Primavera é uma palavra numa língua demasiado estrangeira"

Coimbra, 2011

É preciso falar baixo no sítio da primavera, junto
à terra nocturna. Junto à terra transfigurada.
Tudo ouve as minhas palavras talvez irremediáveis
.
Infatigável perfume se acrescenta nos jacintos, fogo
sem fim circunda suas raízes leves.
É preciso não acordar do seu ofício a luz que inclina
os meus espinhos frios, a lua que inclina
meu sangue ligado e o sangue da terra nocturna.

Agora a primavera trabalha nas galerias mais antigas,
bate os seus martelos contra um milhão de estrelas.
É uma coisa estupenda a primavera que trabalha
nas caveiras dos cavalos enterrados.
E os cavalos ressuscitam pela noite adiante.
Inspiro-me na primavera com suas grutas de água
atenta, e amo a loucura -
a cabeça gelada sobre a corrente pura do terror.
(...)


Herberto Helder, As Musas Cegas VI

quarta-feira, 9 de março de 2011

quarta-feira, 2 de março de 2011

terça-feira, 1 de março de 2011