"Mas, para além das lembranças, a casa natal está fisicamente inserida em nós. Ela é um grupo de hábitos orgânicos. Após vinte anos, apesar de todas as escadas anónimas, redescobriríamos os reflexos da "primeira escada", não tropeçaríamos num degrau um pouco alto. Todo o ser da casa se desdobraria, fiel ao nosso ser. Empurraríamos com o mesmo gesto a porta que range, iríamos sem luz ao sotão distante.
(...) Somos o diagrama das funções de habitar aquela casa; e todas as outras não passam de variações de um tema fundamental."
Bachelard, A Poética do Espaço
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
O Mistério das Cousas
O mistério das cousas, onde está ele?
Onde está ele que não aparece
Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?
Que sabe o rio disso e que sabe a árvore?
E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?
Sempre que olho para as cousas e penso no que os
homens pensam delas,
Rio como um regato que soa fresco numa pedra.
Porque o único sentido oculto das cousas
É elas não terem sentido oculto nenhum,
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos de todos os filósofos,
Que as cousas sejam realmente o que parecem ser
E não haja nada que compreender.
Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos:
As cousas não têm significação: têm existência.
As cousas são o único sentido oculto das cousas.
Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos , Poema XXXIX
Onde está ele que não aparece
Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?
Que sabe o rio disso e que sabe a árvore?
E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?
Sempre que olho para as cousas e penso no que os
homens pensam delas,
Rio como um regato que soa fresco numa pedra.
Porque o único sentido oculto das cousas
É elas não terem sentido oculto nenhum,
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos de todos os filósofos,
Que as cousas sejam realmente o que parecem ser
E não haja nada que compreender.
Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos:
As cousas não têm significação: têm existência.
As cousas são o único sentido oculto das cousas.
Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos , Poema XXXIX
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Anne-Mie Van Kerckhoven
Na sua série de estudos sobre o movimento do olhar denominado Kalligrafie revela-se a PALAVRA escrita como catalizadora dos olhares. Na sala que lhe é dedicada, o visitante pode ter o seu próprio trajecto visual registado enquanto observa uma obra de arte.
Ruth Loos
Investiga as várias dimensões do LIVRO que define como "pura forma e conteúdo", explorando-o como objecto polivalente em diversos registos: fotografia, desenho e instalações tridimensionais.
Koen Vanmechelen
O Cosmopolitan Chicken Project implica-se na reflexão sobre a manipulação genética, clonagem, globalização e multiculturalismo. Linhagens de galinhas de todo o mundo metaforizam o mundo humano.
Ontem
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
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